Monday, September 27, 2010

R.


Esses dias R. me pediu para que eu esperasse por ela por cinco anos. E não só esperar por cinco anos, mas esperar todo esse tempo sem dar ao menos um beijo em ninguém, nada. Eu sempre achei que R. subestimava os esforços que eu fazia por ela, só que dessa vez ela queria um pouco demais.

Por R. eu dormi em um quarto cheio de pernilongo e quase tive que pedir doação, pra repor todo o sangue que eu perdi; por R. eu perdia os feriados esparsos do ano de dois mil e oito que eu tirava pra ver minha família. Eu até conseguia ficar sem Internet o dia todo, pra encontrar com ela à noite.

Passei tardes sem fim lendo Wilde e Conan Doyle, e escutando música em espanhol enquanto esperava pra ser mais feliz à noite. Acho que, além de mim, aquela cidade sente a falta de nós dois. E além de nós dois, só aquela cidade sabe dos nossos segredos.

Ah, antes que eu esqueça do meu objetivo principal ao escrever isso: com R., cinco anos passariam rápido. De fato, com R. eu ficaria dez anos, ou uma eternidade, pra compensar a efemeridade dos cinco anos. Cinco anos sem R., entretanto, seriam eternos. Por isso, não espero. Sou sincero.

No comments:

Post a Comment