
Por R. eu dormi em um quarto cheio de pernilongo e quase tive que pedir doação, pra repor todo o sangue que eu perdi; por R. eu perdia os feriados esparsos do ano de dois mil e oito que eu tirava pra ver minha família. Eu até conseguia ficar sem Internet o dia todo, pra encontrar com ela à noite.
Passei tardes sem fim lendo Wilde e Conan Doyle, e escutando música em espanhol enquanto esperava pra ser mais feliz à noite. Acho que, além de mim, aquela cidade sente a falta de nós dois. E além de nós dois, só aquela cidade sabe dos nossos segredos.
Ah, antes que eu esqueça do meu objetivo principal ao escrever isso: com R., cinco anos passariam rápido. De fato, com R. eu ficaria dez anos, ou uma eternidade, pra compensar a efemeridade dos cinco anos. Cinco anos sem R., entretanto, seriam eternos. Por isso, não espero. Sou sincero.
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